Agradecimento

Hoje não é um dia normal. Sou quase um adulto agora. Não pensei que fazer 17 anos fosse algo tão difícil, ainda mais quando você não sabe o que vai ser de você no próximo ano. Eu poderia estar bem pior, já que, graças a Deus, eu tenho uma família, tenho bons amigos, tenho uma escola para estudar, posso ir à Igreja, não me falta o alimento, uso roupas que eu gosto, leio livros legais e tenho saúde. O que mais posso querer? Se eu pudesse escolher meu presente este ano, certamente ele não seria só meu. Gostaria que cada criança tivesse o direito de sonhar, de construir caminhos dignos e viver com alegria. Todos sonham com isso, mas parece que nada muda. Independente de tudo, quero agradecer a Deus por mais um ano e vida, e por me dar a certeza de que o próximo será bem melhor :) ps¹: Parabéns pra mim ;p

Plante uma semente

Os tempos mudaram, isto já é de conhecimento de todos. Mas existem certos valores que não mudam, por exemplo o fato de que ninguém tem o direito de tirar a vida de alguem. Infelizmente os criminosos não concordam muito com esta afirmativa, e o número de homicídios vem crescendo cada ano que passa. Ao depararmos com algum ato de covardia, como por exemplo o assassinato de Isabela Nardoni, o que primeiro vem em nossas mentes é o desejo de justiça, que os responsáveis por tal barbaridade paguem pelo que fizeram. Mas qual o jeito certo de pagar por isto? Em mais de trinte estados norte-americanos a solução escolhida é a pena de morte. No Brasil (graças a Deus) tal procedimento ainda não é adotado. São várias maneiras escolhidas para executar o criminoso, maneiras terríveis, por sinal. É triste saber que, embora tenham errado, estas pessoas não tiveram a oportunidade de escolher uma nova maneira de viver. Muitos dizem não haver solução para certos casos, mas o fato é que temos que ter em mente de que nada (eu disse NADA!) é impossível para Deus, e um passado de injúrias e crimes pode ser transformado em um futuro de boas colheitas e aprendizados, para isto é preciso ter fé. Uma fé que mova montanhas, uma fé que alcance lugares alto, uma fé que toque o coração de Deus, a SUA fé. Não se deve pagar o mal com o mal, pelo contrário. E antes de tudo não devemos julgar. Não conhecemos a história de vida desta pessoa, não sabemos as dificuldades e os problemas que ela passou. A única certeza que temos é que sua vida não deve ter sido nada fácil e que muitas oportunidades lhe foram negadas. Todos temos que acreditar que a mudança de fato existe e que não é preciso que uma vida pague para que isso ocorra. Faça a diferença, acredite em alguem que, aparentemente, não tem nada a oferecer. Dê oportunidades, sonhe os sonhos dela e espere, porque um dia a semente que você plantou se transformará em um pomar de árvores frutíferas.
Luiz Eduardo

Pessoal, os posts estão focados em um mesmo sentido, eu sei. Espero, mesmo assim, que gostem e comentem. Não sou melhor que nínguem para ficar postando mensagens "que ensinam", só estou passando algo que aprendi no dia-a-dia. Sugiram temas para a gente postar. Obrigado :D

Perdoe.


Quem nunca encontrou uma pedra no sapato? Não digo literalmente, mas não existe uma única pessoas que diga que sempre se deu bem com todo mundo. Seja na escola, no trabalho, no dia-a-dia e mesmo, acredite se quiser, na própria família. Mesmo com estas pessoas, não podemos nos irar.
A parábola do filho pródigo (Lucas 15) nos mostra muito bem o verdadeiro sentido da ira e da inveja. Engana-se quem pensa que o filho mais novo, que abriu mão da vida calma ao lado do pai e do irmão em troca da "farra" mundana, é a personificação daquele que realmente agiu errado. Não; errado era o, então bom moço, filho mais velho.

O filho mais novo resolveu, um dia, "aproveitar" a vida, desfrutanto de tudo aquilo que o mundo poderia lhe oferecer, deixando, assim, o pai em prantos. O tempo passou e o jovem percebeu que tudo havia lhe acabado, e tomou a difícil decisão de voltar para casa, ainda que pensasse que o pai poderia lhe negar abrigo. Para sua alegria, ao vê-lo retornar, o pai lhe abraçou e agradeceu a Deus pelo filho que estava "desgarrado" ter voltado ao lar.

Uma grande festa aconteceu e todos - pai, filho e empregados - festejaram e alegraram-se com a volta do caçula. Exceto seu irmão - o mais velho. Este acumulou dentro si ódio e inveja do irmão. Ele se perguntava: "Por que eu, que nunca deixei o meu pai e sempre cumpri com os meus deveres, nunca ganhei uma festa e meu irmão, que saiu de casa, deixando meu pai em prantos, ao retornar recebeu uma?". O primogênito não soube aceitar o retorno do irmão, mas antes de tudo: não soube perdoá-lo.
É incrível como as sábias parábolas que Jesus contou, encaixam-se perfeitamente nos dias de hoje. Muitas vezes não sabemos perdoar alguém que errou, não sabemos reconhecer que somos nós os verdadeiro culpados pelo erro. Este grande erro ameaça amizades, famílias e Igrejas por todo o mundo. Não precisamos acertar sempre, mas temos que nos lembrar que todos nós somos diferentes e somos pecadores, mas Jesus pagou um alto preço para que fôssemos perdoados. Perdoe quem um dia te fez chorar, pois você também um dia poderá precisar de um perdão.
Luiz Eduardo

Um menino em uma poltrona


Era uma vez um pequeno menino chamado Clive. Certa vez, quando parou de brincar, foi se sentar na poltrona do pai. Uma poltrona alta e macia. Macia até demais, pois, quando ele se sentou, começou a afundar e afundar até que... PUF! caiu. "Aqui no fundo da poltrona é muito grande!", pensou. Logo seus olhos se acostumaram com a forte luz que surgira e ele percebeu que estava em um bosque.
- Que lugar é esse! - Sem esperar resposta, foi se levantando para conhecer as redondezas.
- Eu chamo de Nárnia - Foi o que uma voz grave e poderosa respondeu.
O susto, e talvez o atordoamento da viagem, fizeram Clive cair instantaneamente. Virou-se em direção à voz e se deparou com um leão imenso. Aliás, não era um simples leão, era um glorioso e louvável leão. O menino percebeu claramente que o animal era dono de tudo aquilo e que deveria lhe obedecer. O Leão voltou a falar:
- Por aqui, gostam de me chamar de Aslam. Eu o conheço, Clive. E permiti que viesse para cá porque, mesmo que ainda nem saiba ler, sei que escreverá muito bem. E precisava conhecer um mundo novo, para poder escrever. Nárnia é meu mundo mais recente. Há poucas horas, as primeiras crianças, Digory e Polly, foram embora. Eu o escolhi para ser a criança que mais tempo passará em Nárnia.
E o tempo em Nárnia passou. Clive crescia e conhecia todos os moradores, como também todos os domínios narnianos. Então Aslam veio lhe visitar novamente.
- Meu filho Clive, você ainda não está pronto para voltar para casa. Precisa conhecer os sentimentos sublimes, como o amor e a paz. Por isso, a partir de agora, a cada ano você irá presentear os animais e as crianças de Nárnia. Em um só dia, distribuirá presentes para todos. Não se preocupe, pedi a algumas renas para que lhe ajudassem.
Ele fez o que Aslam ordenou, por séculos. Ainda nas primeiras décadas, como era visível que envelhecia, passou a ser carinhosamente conhecido como "Papai Natal", ou simplesmente Noel.
Entre uma entrega e outra, Clive conheceu crianças vindas de seu mundo. Para algumas, deu armas ou poções, pois sabia que deveria prepará-las para as lutas. E as viu se tornarem incríveis reis.
Clive viveu em Nárnia até o reinado de Tirian, o último monarca. Foi quando Aslam lhe foi buscar. Conversaram por longas horas e o Leão lhe contou que o fim de Nárnia estava próximo, lhe revelando como tudo aconteceria.
Clive estava sentado na macia poltrona de seu pai. Ainda estava atordoado. "Como Nárnia pode acabar?". Ele ainda não sabia nem ao menos ler ou escrever, mas sabia que haveria uma Nárnia ainda melhor, e eterna.
O menino creceu, mas nunca se esqueceu de Aslam. E resolveu continuar sua missão. Agora não contava com a ajuda das renas, mas sabia exatamente como presentear as crianças. Começou a escrever.

Ilustração do Luiz =)

TODO TEMPO DO MUNDO


Todo dia tem um fim. Cada fim é um novo começo. Cada começo é uma nova história...Não existem datas que possam nos prender a formalismos, nem horas que nos façam reféns de um medo inexistente. Tudo depende de como você olha as coisas ao seu redor. Alguém pessimista diria que metade de um copo de água é pouco, já um otimista diria que a mesma quantidade já é o suficinte. Claro, nossa vida não é um simples copo de água, mas esta comparação pode nos demonstrar que a nossa passagem pelo mundo terreno pode ser suficiente ou insuficiente para que façamos tudo aquilo que desejamos. Certa vez, uma criança de seis anos perguntou a sua mãe: "-Mãe, eu te faço feliz?". A mãe da criança, surpreendida pela pergunta, respondeu: "-Sim, você me faz muito feliz meu filho! Mas por que a pergunta?". Naquele mesmo instante a jovem criança (que não respondera a pergunta feita pela mãe) debruçou sobre o colo de sua genitora e adormeceu para sempre. A mãe, assustada com o que acontecera ao filho, em desespero saiu gritando pela pequena vila à procura de ajuda. Um rapaz veio ao encontro da aflita mãe e lhe ajudou levar o filho ao hospital local. Ao analisar a criança, o médico descobrira uma infecção generalizada, e informou a mãe que a criança estava morta. Desesperada, ela procurou consolo em tudo o que fosse possível naquele instante, até que se lembrou da última pergunta que o filho lhe fizera. "-Mãe eu te faço feliz?" - a reação da mulher ao lembrar-se da pergunta foi uma das mais chocantes que as pessoas, que se encontravam na sala de espera do hospital, já tiveram em suas vidas. Em um sopro de alívio, a mãe se ajoelhou no chão e agradeceu a Deus pela vida do filho, que embora tivesse sido curta deixara a ela a maior lição de sua vida: um segundo é tempo suficiente para você fazer alguém feliz. Em meio a crises e problemas (seja ele de saúde, espiritual ou financeiro) sorria sempre. O maior presente que você pode oferecer, não custa nada. O seu sorriso pode gerar novos sorrisos.

"Não to mandei eu? Esforça-te, e tem bom ânimo; não te atemorizes, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus está contigo, por onde quer que andares".
Josué 1:9


Justificar

O homem que contava histórias

Lá estava Lúcia. Não importava o tempo que passasse, ela nunca mudaria. Estava observando as estrelas, sentada em uma colina, ao lado do Sr. Digory. As estrelas da verdadeira Nárnia eram ainda mais fascinantes que as da antiga. “Não parecem estrelas,” pensou. “Parecem os olhos das crianças, refletem serenidade.”

Então observou seu velho amigo, Sr. Digory. Ele também não mudara nada. Exceto na forma de tratamento. Agora que estavam na verdadeira Nárnia, não existiam professores ou mestres, ou qualquer outro título. Ninguém precisava aprender com outras pessoas, porque o próprio Aslam lhes ensinava tudo que quisessem.

Lúcia se lembrou de uma pergunta, que há muito tempo queria fazer ao amigo. E quebrou o silêncio.

- Sr. Digory, - fez uma breve pausa; como é que o senhor, que desde criança sempre conheceu o Bosque entre Dois Mundos, nunca se interessou em visitar outros lugares?

- Ah, minha menina! Em toda Nárnia, só poderia imaginar uma pergunta dessas saindo da sua boca. – e sorriu. Eu era uma criança muito curiosa, sabia? Realmente, certa vez não resisti, e com algum custo consegui encontrar o Bosque. Mas dessa vez, havia ido sozinho.

- E encontrou ainda outro mundo?

- Sim, Lúcia. Encontrei um mundo assustador. Era exatamente como nosso mundo, com exceção na forma com que o tempo passava. Não existia um padrão para seu tempo. Quando estávamos tristes, ele se arrastava, como se pesasse toneladas, mas, ao nos alegrarmos, passava tão rápido que nem podíamos reparar.

- Por quanto tempo o senhor ficou lá?

- Uma vida inteira! Exatamente como você e seus irmãos, na primeira vez que chegaram à antiga Nárnia. É claro que quando voltei para casa, nem um minuto havia se passado.

“Assim como você, que em casa era apenas Lúcia e em Nárnia era a Rainha Lúcia, deixei de ser apenas o Digory. Lá, me chamavam de Clive. Eu cresci, conheci pessoas maravilhosas e escrevi livros. Certo dia, pensei ter entrado em meu escritório, mas, ao passar pela porta, voltei para minha casa, como menino.”

- O senhor não teve mais notícias daquele mundo?

- Não, Lucia. Até um belo dia, em que caminhava aqui, na verdadeira Nárnia, com Aslam. Ele me disse que, agora que tinha visto tantas coisas maravilhosas, deveria voltar para aquele mundo onde meu nome era Clive, para contar às crianças as histórias de Nárnia. Ele tocou seu focinho em minha testa e lá estava eu, agora como Clive S. Lewis, com meus 50 anos, entrando no escritório. Sentei à mesa e comecei a escrever. Contei tudo: sobre Nárnia, desde seus primeiros dias, e sobre você e outras crianças que vieram para cá.

- Tudo?

- Tudo que sabia. Mas queria voltar logo para cá, então escrevi o mais depressa que pude. Agora vejo que poderia ter contado ainda mais. E de nada adiantou minha ansiedade, pois Aslam esperou até meu último dia como Clive para que me trouxesse de volta. Quando Aslam viu meu arrependimento por não ter escrito mais detalhes, Ele me disse que aquilo era o suficiente. E me consolou, prometendo que ainda décadas após minha partida, as crianças leriam minhas crônicas.




Conto feito no fim do ano passado, numa tentativa de fazer uma homenagem a C. S Lewis, autor de As Crônicas de Nárnia, no aniversário de 110 anos de seu nascimento.

Obrigada por fazer a ilustração, Natan =)



ABRA A PORTA DO GUARDA-ROUPA

“ – Aqui é a terra de Nárnia: tudo que está entre o lampião e o grande castelo de Cair Parável, nos Mares Orientais (...)”. Foi assim que Sr.Tumnus descreveu Nárnia a Lúcia. Certamente, uma descrição superficial diante de tudo o que ela (e outras crianças) viveram, vivem e viverão neste mundo de fantasia.

Escrito em 1949, O leão, a feiticeira e o guarda-roupa dá início à série que levaria milhões de jovens (de espírito) a uma viagem por um mundo repleto de seres fantásticos, batalhas épicas, belas paisagens e grandes reis. Logo depois viriam mais seis crônicas, cada uma escrita de uma forma peculiar, com o estilo único de Clive Staples Lewis, ou apenas Jack, como gostava de ser chamado.

Em Nárnia, nada tem explicação, nem mesmo o tempo segue as regras do mundo real. Um lugar onde somente os mais puros corações podem enxergar nas coisas mais simples, infinitas possibilidades. E onde todos têm a chance de recomeçar.

Jack buscou transmitir através de sua obra as experiências passadas na sua vida entre o ateísmo e o teísmo (futuramente se tornaria cristão, o mais relutante deles, segundo David Dowing). É relevante falar um pouco do autor, já que sua vida e sua história vão além de uma narrativa. A religião sempre marcou a vida Lewis. A divisão da Irlanda – sua terra natal – entre católicos e anglicanos fez com que ele, logo cedo, passasse por momentos de dúvida e buscasse a felicidade onde Deus não estava. De grupos de mágicos à finalmente a Verdade. Lewis descobrira Deus. Há uma semelhança entre o Evangelho e Nárnia, talvez estabelecida com o intuito do próprio autor em transmitir de forma simples e alegórica a história de Cristo, a criação do mundo e os últimos tempos. Independente de religião, Nárnia é uma viagem fascinante, que prende o leitor da primeira à última página, que nos ensina valores e lições que valem ser transmitidas nos dias de hoje, diante da situação crítica em que o mundo se encontra. O perdão, o amor e a amizade são dons de Deus, que somente aqueles cujo coração ainda guarda a pureza de uma criança, podem sentir.

Uma leitura sob medida para os que buscam diversão, aventura e aprendizado. Seja em um cantinho de sua casa ou em comunhão com pessoas queridas, sempre haverá um lugar que, mesmo que só em pensamento, te fará lembrar de Nárnia. Se você ainda não conhece este mundo, não é preciso que viaje para longe, nem que gaste milhões para alcançá-lo dele... basta que você abra o livro e acredite, pois a porta do guarda-roupa sempre estará aberta a você.



Galera, este texto já foi publicado no blog do Davi, mas como achei legal publiquei aqui de novo :D